segunda-feira, 14 de abril de 2008

Engolir Sapos

Este blog é bastante bagunçado. Além dos desacertos de imigrante, escrevo também tudo que me dá na telha, a saudade de comer pitanga vira post, uma foto estranha idem. Linco outros blogs que tratam dos assuntos mais diversos e absolutamente alheios a minha realidade pelo simples prazer (ou desprazer) que tenho em visita-los E por aí vai.
Embora reconheça a bagunça, não comecei a postar com intenção de transformar isso num diário; mas apenas de escrever para desabafar.
Ainda que quisesse me ater ao assunto Minha vida de imigrante Aqui seria impossível Enfadonho. Uma vez que nesses oito meses tive bem poucos momentos bons.
A única coisa que muda todo dia é a copa das árvores que vejo da janela. De verde-garrafa passou a amarelo, marrom, sem folhas e agora no inicio da primavera verde-limão.
Hoje aconteceu algo realmente engraçado: Descobri que não é todo mundo que aprecia Sapos.
No post De fora pra dentro contei meio por alto que tinha me demitido do trabalho, e que em breve estaria em outras paragens...
Bem, o caso é que eu devia dar 15 dias para que minha patroa arranjasse outra acompanhante para a mãe dela. Os 15 dias são passados e olha eu aqui ainda!
Ela já entrevistou mais de 20 pessoas, e segundo ela, nenhuma a satisfaz, ninguém atende as suas necessidades. Tres agenciadores de empregos estão enviando diariamente candidatas para a entrevista, isso sem contar os amigos (meus e dela) que estão na busca também.
Sábado passado ela me pediu outra vez para ficar mais uma semana enquanto ela contrata uma outra pessoa... Desta vez disse que não que só ficaria mais esta semana.
Ela me disse que não está encontrando ninguém Explicou que todas querem um dia inteiro e mais uma tarde inteira de folga, que estão exigindo um saco de dinheiro e que ainda por cima respondem mal quando ela faz objeções
Não dá para ter pena dela. Eu conheço o que é ficar aqui todos os dias trancada sem folga digna do nome, sem receber extra por trabalhar nos feriados.
Mas hoje me senti vingada. De outro comodo logicamente, tive a oportunidade de ouvir uma destas entrevistas.
As 4 da tarde entra uma senhora de aproximadamente 50 anos com 11 anos de estadia Aqui e uma vasta experiencia no ramo de badante, muito séria, portava boas referencias, bons modos e falando o idioma sem nenhum sotaque estrangeiro. Tudo parecia ir muito bem mas quando começaram os acertos de salário e folga, os desentendimentos tiveram início...
A mulher foi fazendo concessões até que se aborreceu chegou no ponto em que parecia irredutível:
Candidata: - Bem, tudo bem que a senhora não possa me dar uma tarde toda livre nos dias úteis, podemos tirar essas 12 horas de folga em partes no correr da semana, Mas o domingo não abro mão, posso até dormir aqui no domingo se a senhora precisar, mas das oito da manhã as oito da noite estarei fora.
Empregadora: - Mas como assim, das oito as oito? Então EU devo acordar todo domingo as sete da manhã porque você quer sair as oito da manhã?
Candidata: - Minha cara, isso que eu estou fazendo é um trabalho. 36 horas de folga é direito de toda empregada fixa. Eu sou uma profissional e tenho que pensar em mim também. A hora que a senhora vai acordar para vir ver a SUA mãe não me interessa, o que estou deixando claro é que eu como empregada saio as oito.
Empregadora: Mas o que é que você tem pra fazer no domingo que leva o dia todo?
Candidata (que a essas alturas já tinha desistido do posto): Mi gratto la figa. (algo como Coço a xereca)
Depois disto só ouvi a porta de saída fechando.

Engraçado foi olhar a face raivosa e vermelha da minha patroa.

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