segunda-feira, 31 de março de 2008

De fora pra dentro



Que maravilha que é a auto aceitação
E a pausa para o café.
Não o nosso quente café da tarde, que fornece os 5 minutos de relax entre as mil tarefas do dia.
Mas aquela do espírito. Este esquecido eu que fica dentro da gente, segurando firme as tensões, calando o palavrão que seria gritado na hora da raiva, retendo a torrente de lágrimas que romperia a conveniência, enfim, agüentando duro as dores da alma. Um Sansão que não dorme.
Reclusa com a loucura os minutos escoam lentos e longos. Graças ao Sansão tudo ocorre numa tranqüilidade externa irrepreensível. Uma apatia bovina: sou como um boi ruminando a sombra. Engulo sapos pra depois regurgitar um veneno que vem vindo pra fora e sai até pelos olhos.
Com tao pouco esforço físico eu não entendia o motivo deste cansaço febril que me assaltava toda noite como uma febre. O corpo todo numa moleza dolorida
Não me ocorria responsabilizar o embate interno.
Esforço inconsciente para espantar a preguiça (É sim! Só pode ser preguiça, que cansaço é esse por nada?) vamos limpar, não o importa se já está pulido. Ou comer qualquer coisa, não interessa o que ou quanto...
E quando tudo o que bastava era uma pausa.
Parar pra olhar seriamente o que se faz. Pra ouvir os gemidos internos. Sentir o que está dizendo seu eu interior. Escrutar.
Pesar os fins. Analisar os meios. E criar coragem pra tomar conta de si mesmo. Arrumar o lado de fora pra estar bem por dentro.
Redescobrir a maravilha de estar ociosa sem culpas.
O bem estar de mergulhar num banho quente até se sentir uma ameixa. E depois abrir o ralo e ver descendo junto com a água todas as preocupações.
Virar um litro de hidratante no corpo e massagear até reencontrar o prazer de habitar este corpo. Dormir em paz sem sentir o corpo estrecer a cada vez que ocorre um malabarismo no espírito.
Chorar sem vergonha, de soluçar. Do nariz ficar grande e vermelho. Meleca pra todo lado.
Falar sozinha e rir de si mesma.
Dançar desconjuntadamente.
Gritar até enrouquecer.
Correr e respirar.
Do bem que faz isso tudo deviam ser prescritos como remédio.
Depois de 8 meses de medo e tristeza tomar uma atitude foi isso tudo.
No último sábado disse o meu basta. E dei o meu prazo. Dentro em pouco estarei procurando outra coisa pra fazer.
Outras notícias no decorrer dos acontecimentos.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Façamos



Chinfrins, galinhas afim fazem
E jamais dizem não
Corujas sim fazem, sábias como elas são
Muitos perus todos nus fazem
Gaviões, pavões e urubus fazem

Façamos vamos amar.

Autor: Cole Porter (Versão de Carlos Rennó)



Essa foto maravilhosa é de um fotógrafo chamado Pedro N S Costa que expõe suas fotos num site portugues chamado Olhares. Quem quiser visitar a galeria deste fotógrafo visite o site: http://www.olhares.com/costix

Pensando que quem decide sou eu e A ilusao da liberdade

Estou lendo tanto que não senti a necessidade de escrever. Hoje é quinta-feira e estou entrando no quarto livro da semana.
Um livro funciona como uma passagem pra outro mundo, desde sempre me transportou a outras realidades, e mesmo depois que a viagem acaba ficam as ´vivencias´.

Eu escrevi e postei, sem dar tempo de amadurecer as idéias. Relendo os outros posts senti o desconforto da acidez caustica. Certamente não é fácil estar fora do seu país.
Para aguentar essa dificuldade, foi que adotei a estratégia de viver um dia de cada vez, mas é preciso segui-la.
Estou contando mas nao quero ficar remoendo antigas dores, uma vez que isso não me cura os males. É apenas um inútil re-sofrer.
Analisando os fatos, na realidade, tenho me aplicado em invocar os males vividos. Com isso giro sem sair do lugar um desperdício de tempo e o pior de tudo, um imenso desgaste emocional. Solenemente me prometo hoje esforçar-me em tornar suportável este presente infeliz.
E que Deus me ajude a manter de pé essa promessa.

Quem é que não olha para a própria vida com olhos críticos?
Pra mim era corriqueiro ouvir (e concordar plenamente) frases como: Esse emprego não presta, Este salário não banca o estilo de vida que mereço, O nível desta faculdade não é lá essas coisas, Não tenho a vida que pedi a Deus, Isso é uma exploraçao! etc
Mas é quando começa a auto piedade sem uma reação é que oficialmente o desastre acontece.
Quando isso ocorre, ainda que vc esteja trabalhando numa grande empresa não enxerga as oportunidades de crescimento, não percebe que o seu salário é um pouquinho acima da média do mercado, que estar na faculdade é um grande privilégio ...
Quando nos submetemos a pressão do meio, não fica muito claro pra nós que embora realmente exista a pressão, existe também a submissão, e que esta, veio de dentro.

Vida de imigrante é uma constante pressao. Hoje tomei a decisão de não submergir sem briga.
Estou ilegal aqui. Trabalhando e esperando que saia meu documento de legalizaçao no país. Em troca desse documento, fico trancada com uma senhora mentalmente desequilibrada, que não obstante a doença, é muito inteligente. Ela em seus momentos de sanidade é uma lady tem fobia de estar só e crises de angustias, nos momentos críticos - infelizmente a maior parte do tempo - tem terríveis ataques de fúria, com uma vulgaridade e crueldade de que só os loucos são capazes.
Mas o que me afeta profundamente são as noites insones. Enquanto ela passeia pela casa madrugada afora arquitetando planos de fuga, eu velo.
Não é um trabalho braçal, mas emocionalmente hercúleo.
Quando consiguimos superar suas crises eu estou tao cansada quanto um ajudante de pedreiro em seu primeiro dia de trabalho. Me doem todos os músculos. Meu corpo está tremendo como se avesse feito um grande esforço físico. Minha cabeça invariavelmente está explodindo e eu não sei mais o que estou fazendo.

Porém meus patroes que nao aparecem aqui e que preferem fazer de conta que está tudo bem agem com a seguinte linha de raciocínio: uma vez (mal) pagada devo cumprir meu dever que é o de velar.
E lembrando dos meus deveres eles esquecem-se dos seus.
Legalmente uma acompanhante (seja ela de idosos, de crianças ou simplesmente uma doméstica fixa) tem direito a 36 horas semanais de folga (um dia inteiro e mais meio dia) além dos feriados nacionais em repouso completo.
Eu porém, sem permissão legal de estar no país devo estar aqui toda a semana e tirar 12 horas de folga semanais divididas em dias e horários que forem conveniente família da doente. E não me venha com essa historia de feriado... Ano novo é um dia como outro qualquer...

Muita gente acha que está preparado, que essa coisa se supera fácil.
Tente você: Fique a semana toda trancado numa casa – não saia nem pra jogar o lixo fora – esteja sem alguem com quem conversar racionalmente. Assista a televisão trocando os canais a cada 5 minutos. Só ouça música via fone de ouvido, se for ler interrompa-se a cada 2 páginas, levante responda a qualquer pergunta sem nexo, e mesmo quando for ao banheiro peça a alguem que fique batendo desesperadamente na porta perguntando o que é que está acontecendo aí dentro.
A noite nao durma. Levante-se a casa 2 horas ao som de uma campainha estridente, para ageitar as cobertas que escorregou da senhora que poderia te-las puxado sozinha, uma vez que embora a cabeça esteja falhando o corpo funciona mais que bem..

Depois disto saia de folga um dia. Cansada insone e se sentindo só. Saia e fique fora por 4 míseras horas. Mas faça isso num horário em que as poucas pessoas que vc conhece estão trabalhando.
Não saia num horário que tenha cinema, nem num horário em que o namorado esteja disponível. Se vc for mulher tente comprar alguma coisa como um vestido, tente conhecer alguem, fazer amigos.
Existem apenas 4 horas.

Continuando a experiencia prove um dia sair pra jogar o lixo fora, e quando tentar voltar imagine que encontrou a porta fechada e alguem que diz: Vá dar uma volta e retorne daqui a 4 horas. Tire sua folga agora...
Faça de conta que vc estava ansiando por esta folga a semana toda e que enfim havia conseguido combinar um sorvete com alguem (pois isso é o máximo que seu horário permite) e essa folga que seria amanhã, assim sem mais nem menos, é antecipada pra hoje. E que vc está na rua sem bolsa, mal arrumada, sem dinheiro sem celular...

Se vc conseguiu fazer essa experiencia vai entender o que é cansaço mental.

Eu quero sim estar legal aqui, mas decididamente é um preço muito caro. E me está fazendo tanto estrago que tenho minhas dúvidas sobre se vale a pena pagar.


O simples fato de pensar nisto e estar decidida a dizer basta a tudo isso dá uma tremendo bem estar
Hoje é o dia.
Esta não é uma decisão nova, mas acontece que sempre sucumbe quando penso em todas as probabilidades.
Para evitar isto não vou pensar em mais nada. Exceto no fato que esta é uma situaçao insuportável. E vou aproveitar a força do desespero de hoje...

Hasta la vista!

terça-feira, 18 de março de 2008

Preocupacao


Agente cresce
E os genitores viram meninos.
Grandes crianças arteiras, que agente vigia, ama, e cuida.
Como um dia fomos cuidados.

Das distancias que mais doem cito o dos abraços dele dois.
Me jogava...

Ai ai

segunda-feira, 17 de março de 2008

Entre Aspas


¨Achava belo, a essa época, ouvir um poeta dizer que escrevia pela mesma razão
por que uma árvore dá frutos. Só bem mais tarde viera a descobrir ser um
embuste aquela afetação: que o homem, por força, distinguia-se das árvores, e
tinha de saber a razão de seus frutos, cabendo-lhe escolher os que haveria de
dar, além de investigar a quem se destinavam, nem sempre oferecendo-os
maduros, e sim podres, e até envenenados
. ¨



Osman Lins: Guerra sem testemunhas

sábado, 15 de março de 2008

Todas Elas Juntas Num Só Ser

Nao fiz o post pela comodidade do Control+C , Control+V, mas por nao ter como descrever a sensaçao do sangue dançando nas veias.
Nao sou capaz de cantar uma frase do que quer que seja. Mas eu tenho alguma coisa que entra em transe quando tem som... Seria sangue musical?

Segue a letra do Lenine e Carlos Rennó: TODAS ELAS JUNTAS NUM SÓ SER.

Não canto mais Babete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;
Nem a tigreza nem a vera gata
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science,
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia do Los Hermanos.

Só você,Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.

Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Hebert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem minha faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
Divina garota de Ipanema,
Nem Iracema, de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato,
E de Layla, de Clapton, eu abdico.

Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.

Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul;
Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmená;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;
E nem a carioca de Vinícius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão

Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.

De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia,
Nenhuma tem meus vivas! E meus salves!
E nem Angie, do stone Mick Jagger;
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha,
Laura de Daniel, o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião
Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.

Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.

Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...

Só você...
Mais que tudo é só você;
Só você...
As coisas mais queridas você é:

Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Steve Wonder, ó minha parceira.
Você é pra mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby pra Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.

Só você,
Mais que tudo e todas, é só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.


terça-feira, 11 de março de 2008

Bicho de Zoológico

Hoje o player da Rádio MPB FM esta funcionando. Ouvir musica me faz infinitamente mais feliz,
Quem é que não viaja ouvindo música.
Esquece da vida,
ou lembra da vida,
ou é capaz de enxergar outras coisas embalados pelo som...
Escutando a Gal cantar Chico Buarque consegui sorrir dos relacionamentos homem nativo X mulher estrangeira observo AQUI.
Eles parecem adorar a prostituta do Chico. E te farei, vaidoso, supor que és o maior e que me possuis...
Engraçado ser preta (Quando cheguei AQUI era verão, então a minha cor não era esse marrom desbotado) e ter os olhos de toda uma cidade voltados pra cor da minha pele.
Me sentia observada por toda parte. Primeiro achei que intrigava, depois achei que agradava, agora eu tenho a certeza que aquilo que agrada a eles não agrada a mim. E ter a certeza disso me faz odiá-los.
Sabemos que sentimentos intensos sao sujeitos a reciprocidade, odiar é ser odiado.
Mas não consigo evitar: Não suporto que me olhem, dizendo com o olhar: hum mais uma puta brasileira, carne barata.
Primeiro eu fui murchando que nem planta sem água. Encolhendo sob os olhares. Não sabia onde me enfiar. Cmecei a me comportar exatamente como uma cadela com medo que poe o rabo entre as pernas.
Depois de ter perdido a luz dos olhos foi um susto nao reconhecer a minha casca num espelho toda embolada, amarrotada feito uma bola de papel. Iniciei a briga para me reesticar.
Numa clara forçaçao de barra passei a andar na rua mais empinada do que o normal. A testa erguida, mas isso parecia atiça-los ainda mais - além de me dar uma puta dor nas costas.
Então eu ajuntei ao empinamento o encarar feio. Sustento a olhada. Levanto o nariz e enrugo os sobrolhos. Pronta pra agredir. Adotei uma atitude de ataque. Minha cara feia quer dizer: Vai falar alguma gracinha?
E agora os poucos que me olham de cima a baixo encontram no meio do caminho a pergunta pronta em gestos: Tá olhando o que, caralho? (AQUI eles tem um gesto específico que substitui a pergunta falada)
Meu Deus!
Que vergonha. Eu que na universidade me apaixonei por sociologia e antropologia.
Que olhava a marginalidade com a curiosidade de um cientista que observa as cobaias no tubo de ensaio.
Tendo desejos quase incontroláveis de cometer um crime.
ONDE é eu vou parar? No que é que estou me transformando?
Em apenas 7 meses..
Lembro de quando cheguei. E do verão e de como eu os achei simpáticos.
Embalada pela ilusao. Nao sabia que era somente por ser verão e que aquele todos aqueles personagens não eram eles. E eu fui razoavelmente feliz uma vez que havia o sol.
Até que tudo voltou ao normal.
Ou seja, um frio desconsolador e eles frios desconsolados.
Cristo, quando penso que atrás de mim está vindo uma outra, com as mesmas motivações que as minhas, com a mesma inocência que eu tinha, eu fico com dó. Especialmente por não poder falar nada.
Ela até me pergunta, mas nao quer ouvir, e eu nao posso soltar o verbo. Como é que eu vou dizer a ela não faça isso menina.
Quem iria querer um palpite desse?
Agente só ouve aquilo que quer escutar.
Quem sabe não existam outros imigrantes morrendo de felicidade AQUI, e ela venha fazer parte deste grupo. Cada um com suas experiencias pessoais.

O que me salva os dias é a musica. Hoje foi junçao perfeita da voz da Gal com a poesia do Chico...

segunda-feira, 10 de março de 2008

ImIgrAntE

Sem nenhuma noçao do que era isso resolvi ser imigrante quase aos 30 anos.
Largar a já tardia faculdade, o colinho dos pais - sim pq eu ainda morava com papai e mamae, o trabalho de vários anos, os amigos, os bons e comodos habitos, todos os meus costumes que eu nem sabia que existiam.
Neste momento aqui escrevendo isso eu me rendo conta que foi uma tremenda loucura. Tarde demais.
Pensando melhor acho que toda minha vida está atrasada.
Eu faço tudo tarde demais. Por medo, por não querer mudar, por um série de outros motivos.
Ao tentar entender o que foi que me fez vir morar AQUI vejo que não eram fortes suficientes.
Um namoro empatado a 9 anos que eu acreditei que a mudança de ares desempataria.
E uma leve crença de que conseguiria algo melhor. (Com certeza os verbos no passado é um mau sinal. Pensei em mudar, mas ora! foi assim que saiu)
Fissura por internet eu já tinha faz tempo. Só que na minha imensa e quase palpável solidao ela virou mais que uma companhia. Virou um vicio.
Nem todos os meus q conhecido teem como eu o dia (e as noites) inteiras para ficar on line.
Orkut MSN e afins não bastam pra preencher minhas horas vazias daí eu navego, baixo livros, ouço as rádios brasileiras que disponibilizam a programaçao via net, leio um milhao de Blogs, vou aqui vou lá, e continuo querendo falar com alguem. Ou me irrito e não quero falar com ninguem.
É foda não ter alguem pra dividir as coisas boas, nem pra dividir as coisas ruins.
Nem sempre estou jururu. Nem todos os dias estou saltitante.
Nem com todo mundo eu gostaria de falar.
Os Blogs são uma delícia. (Verdade que nem todos, mas os que eu visito sim.)
É como viver a vida de outro.
Daí eu pensei. Eu também vou falar.
Lembro que minha analista me disse uma vez que falar com o espelho é a melhor análise que existe.
Caraleou! Eu nunca tive mania de espelho. No meu quarto nunca teve e não tem. Não os carrego na bolsa, raramente me olho quando passo perto de um.
Vamos inaugurar entao isso aqui.
Não deixa de ser uma nova versao para a minha velha mania de escrever e não mostrar. Desta vez mostrando.