quinta-feira, 10 de julho de 2008

Do trabalho novo


Depois de haver chegado me mudei de região pela 2 vez. Agora estou a Abruzzo.
Desde 21 de Abril estou trabalhando em uma casa mista de nativo e brasileira. Marido nativo e mulher brasileira. Os dois tem uma boa convivência, e foi um casamento por amor, quero dizer, não é o caso de garotas que vem pra cá e casam com um velho, são dois jovens com a mesma faixa etária. Eu faco a babysitter e a empregada, lavo, passo, cozinho e arrumo. Falando a verdade eu sou uma negacao em matéria de cuidar de casa: nunca fiz isso antes...
Cuidar da casa la na velhinha era moleza, eramos nos duas e ela era muito organizada, não gostava de nada fora do lugar.
Aqui fico toda enrolada, não sei se passo aspirador de pó ou se passo a roupa. Quando limpo os vidros perco a hora de fazer a comida, o resultado é desastroso. Não que tenha muito o que fazer, mas eu sinceramente não sei como. Não tenho método, então já levanto trabalhando e deito 5 minutos depois de ter lavado a ultima louca, mas mesmo trabalhando o dia todo nada nunca esta suficientemente bem feito. Gracas a Deus minha patroa passa o dia todo fora e não é muito ranheta.
Entre uma troca de fralda e uma espanada nos moveis observo como se relacionam diariamente duas culturas diversas.
Ela não come macarrão de jeito nenhum e usa muito tempero na comida, ele não gosta alho e cebola e não é uma apaixonado do arroz com feijão. Como se não bastasse ela descobriu um chines que vende coentro e bota coentro em tudo que faz. Uma vez o marido dela me segredou que não suporta o gosto do coentro que parecia remédio, me pediu encarecidamente que eu não colocasse aquilo na comida dele... Mas isso é um segredo eu não posso contar pra ela, então eu preparo a carne com pouco condimento, mas não tem jeito: ela chega e acrescenta o coentro, a pimenta, um pouco de cebolinha, mais um dentinho de alho, duzias de cebola e um caldo kinor....
Alem da ''conspiração'' da cozinha – que eu acho a mais engraçada e inocente, existem outras mil diferenças:
Ela tinha uma vida ritmada com horários certos para chegar e sair do trabalho, ele é todo desregulado com os horários dele. E lá se vão os dois tentando tocar o próprio negocio juntos.
Ele toma menos banho que ela, e usa uma blusinha por baixo da roupa, igual aos velhinhos no Brasil. Ela toma banho quase todo dia, lava o cabelo em casa e não seca direito, sai sem um lencinho pra garganta, dá banho na filha quantas vezes a criança se suja.
Cuidado com o vento! Voces vao ficar doentes!!! É o decreto dos avós... E é batata, mas eu não consigo ficar sem banho. E não suporto andar com o pescoço coberto...
Começo a desconfiar que neste pais de loucos banho realmente faz mal, pois nós três (eu, a patroa e a criança) estamos sempre doentes, pegamos febres monstruosas e dores de gargantas tremendas. Outro dia ela pra não ouvir sabão escondeu que a menina pegou uma bronquite....
Em meio a outras mil diferenças os dois vão fazendo concessões mutuas. São boa gente e parece que se amam de verdade.
Naturalmente eu como brasileira enxergo a coisa pelo lado da mulher.
Fico achando o cúmulo quando vejo a sogra entrar de casa a dentro fuçando tudo, se metendo na criação da menina, mesmo sabendo que ela adora a nora e a neta.
Acho que ela trabalha de mais e é pouco reconhecida...
Não sei se eu conseguiria viver isso, longe de casa, longe da minha cultura. Por isso registro aqui que tiro o chapéu pra ela. Ou melhor... Pra eles dois que conseguem vencer as diferenças e viver o amor.


Escrito em 09 Maio 08- sexta feira

Um comentário:

Chandra Kali disse...

Oi, fofa! :)

Olha, se tem uma coisa que me deixa doente é minha sogra. Oh muiezinha chata!!

Acho que é próprio das mães italianas, elas têm que se meter na vida dos filhinhos inocentes delas, mesmo se têm 35 anos como meu marido. =(