Sexta -feira 16 de maio
Meu Eu por inteiro tem problemas com este país. Minha garganta por exemplo... Um simples ventinho incapaz de levantar o pó do chão me joga na cama. Eu nem chego a curar uma dor de garganta já pego outra.
Hoje sai de casa para comprar um remédio contra dor de garganta.
Paramos o carro na porta da farmácia e enquanto minha patroa esperava no carro eu entrei pela primeira vez na farmácia desta cidade.
Estou desenvolvendo um processo novo, antes de decidir entrar ou não numa loja, cumprimentar ou não alguem, procuro observar os sinais exteriores do meu alvo ou do interlocutor.
Um homem jovem estava atrás do balção e se despedia de uma cliente com um sorriso. Bom sinal. Me aproximei confiante.
O sorriso que estava no rosto dele desapareceu diante do meu bom dia e ele me olhou cima a baixo e antes de olhar no meu rosto torcer a cara pro meu cabelo pixaim. Mal sinal. Só não virei as costas porque aqui é uma cidade ainda menor do que onde estava anteriormente, e outra farmácia fica a kilometros daqui.
Já sabendo qual seria a resposta pedi Amoxicilina – o mesmo que agente compra aí no Brasil.
Embora não tenha respondido ao meu bom dia ele não foi mal educado. Apenas foi direto e impessoal.
- Amoxicilina é um antibiótico, só com receita.
OK. É verdade que pra comprar remédio Aqui tem que ter receita. Todo mundo que está aqui descobre isso muito rápido. Existem poucos remédios que se vendem sem receitas e na embalagem vem escrito Automedicação.
Mas também é verdade que pra tudo tem um jeitinho. E que não é assim com todo mundo
Velho tem mania de farmácia e aquela onde eu trabalhei não era uma exceção. Muitos dos nossos passeios terminavam da farmácia já presenciei até compra de calmantes (dos tipo que no Brasil agente chama tarja preta) assim:
- Senhora onde está a receita?
- Eu sou a mãe do Doutor XYZ, se me posso permitir...
E lá vinha o remédio seguido de vários rapapés...
Naturalmente EU não posso me permitir, mas na esperança de que ele se condoesse comecei a explicar que minha dor de garganta é cronica, que estava usando a pastilha X, e fazendo gargarejos com o remédio Y ... Talvez ele me vendesse o remédio ou que me sugerisse um outro medicamento.
Ele ouviu pacientemente fazendo uma cara de ausente e respondeu:
- Você deve procurar um medico.
- Sim... Obrigada e bom dia. (mais uma vez saí sem resposta)
Como sempre acontece nestes casos, azedei. Nunca fui ao medico no Brasil por estar com a garganta inflamada.
Voltei pro carro de mãos abanando. Minha patroa entrou na farmácia e 2 minutos depois voltou com o remédio e as recomendações.
- Ele se desculpou e disse que não entendeu o que você queria pois estava conversando com outra pessoa. Disse pra você tomar o remédio a cada 6 horas em caso de muito inflamada ou a cada 8 horas se não estiver tao mal.
Não tem o que desculpar.
Que culpa tem o farmacêutico se a farmácia é mal assombrada?
Se ele conversa telepaticamente com seres invisíveis ou se entra em transe no momento que atende os clientes. Pobre coitado, conversa, responde, e age sem entender nada.
Brrrrr ...
Eu heim!


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